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24 nov. 2014

PABLO IGLESIAS ASISTE A LA CONVENCIÓN DO BLOCO DE ESQUERDA EN PORTUGAL

Entrevista em Português          

"É preciso deixar a ideologia de lado e centrarmo-nos nos interesses das pessoas"

O líder do Podemos acredita que pode ganhar as próximas legislativas em Espanha. Pablo Iglesias critica a esquerda que não percebeu que era preciso criar algo novo e diz que não há impossíveis na Europa, “num momento especial, em que tudo acontece muito depressa”.

VÍDEOS EN ESPAÑOL


    



O líder do Podemos acredita que pode ganhar as próximas legislativas em Espanha. Pablo Iglesias critica a esquerda que não percebeu que era preciso criar algo novo e diz que não há impossíveis na Europa, “num momento especial, em que tudo acontece muito depressa”.

Pablo Iglesias tem 36 anos, é licenciado em Ciência Política, e acaba de ser eleito secretário-geral do Podemos, partido que, com três meses de vida, elegeu cinco deputados para o Parlamento Europeu. As sondagens mais recentes indicam que pode disputar o poder com os dois partidos da alternância em Espanha, os socialistas do PSOE e o Partido Popular, no Governo. Iglesias falou ao PÚBLICO e à TVI na sede do Bloco de Esquerda, horas antes de discursar na abertura da convenção do partido português.
De onde é que vem esta força tão repentina do movimento Podemos?
Creio que o Podemos é a expressão de uma crise do sistema que tem a ver com a desilusão dos espanhóis com uma série de políticas, com a crise económica que se tornou numa crise política e com aquilo a que agora chamamos crise de regime. A maioria pensa que as políticas sistémicas foram incapazes de resolver os problemas das pessoas. Se a isso juntarmos a corrupção estrutural que se revelou ser uma das chaves no nosso país, e que acontece noutros países e também em Portugal, percebemos que o Podemos se converteu num instrumento político que representa a mudança, a possibilidade de fazer as coisas de uma forma diferente. Seguramente isso explica o êxito, ainda curto, que estamos a ter.

Disse que há aspectos comparáveis a Portugal, como a corrupção. Acha que faz sentido um Podemos em Portugal? Do que conhece da realidade portuguesa é possível que um movimento idêntico surja aqui?
Provavelmente não com este nome, provavelmente não com as mesmas características, mas há situações muito semelhantes. Antes de vir pedi aos companheiros algumas informações e é triste ver que a situação é parecida. Quando olhamos para os números do desemprego, para o nível da precariedade laboral, para o estado em que estão as pequenas e médias empresas, para os jovens portugueses que se vêem obrigados a emigrar em quantidades absolutamente inaceitáveis à procura de um futuro, e para a percepção que uma parte da população tem das elites políticas, é fácil imaginar um cenário político em que se abriria espaço para o nascimento de um força política que diga ‘podemos fazer as coisas de outra maneira’.

O Bloco de Esquerda é o vosso partido irmão em Portugal?
Para nós, o Bloco é um exemplo de dignidade na política e isso não tem a ver com o nome ou com uma ideologia determinada. Vimos, nos últimos tempos, como estas metáforas, o ser de esquerda ou de direita, se têm revelado incapazes de explicar a realidade. Mas o Bloco tem outra coisa, a defesa da dignidade e a capacidade de entender que a democracia está associada à soberania e à defesa dos direitos sociais.

Mas todos os partidos dizem defender a dignidade, o Bloco não é único por isso.
Mas essa defesa tem de ter consequências práticas e a dignidade é incompatível com aceitar o que fez a troika, é incompatível com aprovar leis fiscais que fazem com que as grandes fortunas não paguem impostos, é incompatível com defender privilégios da classe política. A dignidade também é incompatível com alguns gestos, com políticos a viajar em classe executiva enquanto os cidadãos sofrem. Creio que o Bloco tem sido um exemplo de que se pode funcionar de outra forma na política.

Diz que há espaço para um Podemos em Portugal porque existem os mesmos problemas e o mesmo desencanto. Mas o que está a acontecer é o aparecimento de uma candidatura que reúne forças de esquerda e uma cisão do Bloco e que admite entendimentos com o Partido Socialista, precisamente para pôr fim às políticas de austeridade.
Há características muito particulares em cada país. É preciso negociar com o Partido Socialista? O Partido Socialista em Portugal pode ser uma das chaves da mudança? Isso depende deles. Até agora, temos visto os partidos socialistas europeus a alinhar nas decisões fundamentais com partidos que se dizem de centro-direita. Por isso é que dizemos que as palavras esquerda e direita estão esvaziadas. De que vale dizê-las, se, afinal, na Alemanha governam juntos, se, afinal, na Grécia governam juntos, se, afinal, em Espanha reformaram a Constituição juntos e se, afinal, em Portugal, todos estiveram de acordo com as políticas de austeridade que vos empobreceram.

Essas palavras todas não se alimentam da raiva e da desilusão das pessoas e, até certo ponto, de um populismo de esquerda?
A palavra populismo utiliza-se sistematicamente para atacar.

Mas tem um significado, tal como dignidade.
Eu acredito que a dignidade em política é fundamental. Habituámo-nos a que a política seja um espaço de mentirosos e de hipócritas e que ninguém possa fazer política para defender a dignidade das pessoas. Para mim, é indigno que haja empresas em paraísos fiscais para não pagar impostos no seu país.

POR ASISTIR A ESTA CONVENCIÓN DEL BLOCO DE ESQUERDA DE PORTUGAL, LE DIJO QUE NO A LA ENTREVISTA EN TELECINCO, POS ESO !!!

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